O suicídio em Portugal
De acordo com a Direção Geral de Saúde (Setembro, 2012), estima-se um aumento do risco de suicídio em Portugal nos próximos anos.
Sabe-se atualmente que a crise económica que o país atravessa é responsável por quadros depressivos que se notam já na população portuguesa, constituindo um «importante risco» de comportamentos autodestrutivos.
Os comportamentos autodestrutivos, de que o suicídio é a forma mais grave, são uma das principais consequências do flagelo do desemprego.
É importante referir que o fenómeno do desemprego não somente impede a pessoa de trabalhar e de ter um rendimento aceitável, como também destrói famílias e aumenta o alcoolismo, que é um fator que está muitas vezes associado aos comportamentos suicidários.
Em relação ao próprio, e de acordo com dados resultantes da experiência clinica levada a cabo nos últimos anos, ocorre de igual forma uma redução significativa da autoestima da pessoa, constatando que a mesma se vê muitas vezes obrigada a atravessar uma caminhada difícil, penosa e tantas vezes sem luz de esperança ao fundo do túnel.
Confrontada com tudo isso, a pessoa começa a achar-se incapaz, que não vale e não serve para nada, considerando-se um peso para os outros, sobretudo quando se vê obrigada a fazer uma espécie de ‘marcha atrás’ na sua vida.
Tudo isto são fatores que podem levar a comportamentos autodestrutivos e para os quais, enquanto cidadãos, familiares e técnicos de saúde se deve estar atento.
Enquanto psicopedagoga, investigadora na área da saúde mental e cidadã atenta a este fenómeno, considero crucial o desenvolvimento de abordagens e competências que permitam o aprofundamento de perícias a nível do tratamento, diagnóstico e avaliação da depressão vs. risco de suicídio nos cuidados de saúde primários.