Crise e saúde mental
A atual crise financeira pela qual o País atravessa tem revelado ter repercussões importantes a nível da saúde mental dos portugueses. Prova disso é o aumento do consumo de antidepressivos.
Contudo, apesar da medicação, bem como as intervenções não farmacológicas serem consideradas fundamentais no processo de recuperação da pessoa que não está bem e que, consequentemente, precisa de ajuda, a solução para os efeitos da crise na saúde mental passa também pela criação de trabalho e no apoio social nas situações mais dramáticas. Os efeitos da crise na saúde mental são um "problema transversal" porque não se resolvem "sem respostas da segurança social, do mercado social de emprego ou de cursos de formação que respondam a áreas em que há défice a nível de mercado para reduzir o desemprego".
Os suicídios são outra das repercussões registadas "internacionalmente" em cenário de crise económica, e quando se fala em crise ao nível da saúde mental inevitavelmente, e os números assim indicam, tem de se falar no risco de suicídio.
É importante ter em consideração que, em pessoas mais suscetíveis, ou que tenham problemas prévios, é muito frequente o agravamento ou desenvolvimento de depressão o que poder originar o aumento do risco do suicídio.
Em cenários de crise como a situação que estamos a viver, perante uma taxa de desemprego muito elevada e com o aumento do custo de vida, registam-se consequências graves que se refletem na estabilidade emocional das pessoas, que, sem emprego, e muitas vezes sozinhas, sem o apoio da família e sem as respostas adequadas dos serviços, estão entregues a si próprias numa luta incessante onde precisam urgentemente de ser ajudadas a redefinir um projeto de vida adequado às suas necessidades e tendo também em vista os seus interesses e potencialidades.